Toda gincana deixa muitas histórias para quem participa. Algumas são tão boas que ficam gravadas para sempre na memória de todos e serão contadas e recontadas inúmeras vezes, sempre que alguém se reunir para falar de gincana.
A gincana de Portão teve boas histórias também. Vou registrar aqui algumas delas, as em que estive presente ou ouvi minutos após terem acontecido.
Olha o PARDAL!!!!!!!!!
Tarde de sábado, tarefa de três tempos e o pessoal da TatuCascalho dando final no celtinha alugado, ou seja, 120 Km. O Vítor está confortavelmente sentado no banco de trás ouvido o Xandi e o Luizinho conversarem quando percebe que eles estão se aproximando rapidamente de um pardal. Para não dar uma de assustado e também para não atrapalhar a conversa, ele fala calmamente - "Pessoal, olha o pardal aí na frente". E os dois nem as horas seguem conversando sobre a gincana, planos e etc... Aí o Vítor pensou, não me ouviram, "Pessoal, olha o pardal". De novo nem olharam para trás e seguiram na conversa e o pardal chegando. "Será que estão tão distraídos?" Aí o Vítor não se conteve e prendeu o berro "Olha o pardal !!!!!!".
Nessa hora os dois olharam para trás ao mesmo tempo e disseram. "Cara, fica frio que esse pardal está desativado faz tempo".
Alguém poderia me dizer porquê deixam pardais desativados soltos por aí?
Tudo combinado
Saímos de São Jerônimo com tudo combinado (entre nós). No meu carro iriam Vanessa, Beth e Cíntia para procurar o objetinho escondido, o Adão iria procurar espiões com o Matheus e o Luis Gustavo, o Tibério faria espiões com a Mirella e o Vítor andaria em Portão com o Xandi. Tudo certo.
Logo após a nossa chegada ao QG foi convocada uma reunião para organizar os caças. Todo mundo em círculo com equipes de todas as cidades reunidas, então o Fabiano pediu a palavra e fez uma pergunta "Quem pode ir procurar os objetinhos?". Como ninguém se acusou segui o esquema que combinamos em São Jerônimo e saltei para a frente: "Eu vou. Pode deixar que boto as gurias no carro e vou para a rua." . Não tinha câmera ali para filmar o olhar do Fabiano para mim. Deve ter durado uns dois ou três segundos, mas pareceu uma eternidade. A mensagem era clara - "Tu tá de sacanagem, né? Essa não é pra ti !" . Foi muito engraçado, mas muito mesmo. Eu fui dando um passo para trás, outro, olhando para os lados, então o Adão, graças a Deus, entendeu a mensagem e se candidatou e, junto com ele, outro motorista da TNC. Já estava tudo bagunçado. Deu uns dois minutos e sai uma rapidinha. Alguém gritou alguma coisa e lá se foi o Adão a 200 Km por hora rua a fora fazer sabe-se lá Deus o que. Enquanto isso as gurias vinham pelo QG, caminhando calmamente, perguntando pelo Adão. Não deu outra, perderam o motorista em menos de 10 segundos ! Resultado : eu com o carro atrolhado atrás do Adão cidade a fora.
Adão - O líder motivador na caça aos bauzinhos
"Comigo é assim !!!! Não vou esperar por ninguém. Quem veio veio quem não vir vai ficar a pé !!!!" Com essas palavras de incentivo nosso líder motivador abriu os trabalhos após eu encontrar com ele na praça central da cidade e entregar para ele o seu grupo de caça. Meio de canto, uma delas, que jamais revelarei quem é me disse "Agora estou com medo. E se ele me deixa no meio do mato?". Para tentar tranquilizar disse para ela "Vanessa, fica tranquila. O Adão não faria isso.... eu acho."
Mas a noite estava apenas começando... Na primeira etapa as gurias demoraram um pouco a sair do carro. Tipo, esperaram o carro parar antes de abrir as portas. Nosso líder motivador não perdeu tempo para apontar o caminho "Vocês parecem umas paraplégicas !!!! Nunca vi !!!! Parecem umas múmias !!! Vamos, vamos, vamos !!! Eu quero ver todo mundo arrastando o nariz no chão. Vamos achar essas b#@%! "
Com toda essa motivação não deu outra, o pessoal saiu levantando tudo que via pela frente. Porém, um dos problemas de sair com a adrenalina a mil é que a gente acaba esquecendo de pequenos detalhes que depois se mostram fundamentais, ninguém daquele carro tinha visto a FOTO do bauzinho. Logo, procuravam por algo cuja forma, cor e tamanho era desconhecida. Não iria resolver nada como se soube mais tarde, mas iria evitar o seguinte: Ainda com aquelas palavras de motivação martelando a sua cabeça "vocês parecem umas paraplégicas!" - a Vanessa procurava um bauzinho para esfregar
na cara do nosso líder motivador, mas como não tinha visto a foto, criou o seu baú imaginário na cabeça. Esse baú, para seu azar, era marrom. Eis que, no meio do campo, aparece um relevo marrom, mais alto que a grama, ao alcance da mão, era a vitória, era a prova de que não era uma múmia, porém.... era um o sapo que ela tinha nas mãos. O grito foi algo de espetacular. Mas, pelo menos, era um sapo. Poderia ter sido pior.
Como vocês podem ver não é todo mundo que tem a sorte de ter o Adão como motorista do carro e "líder" de uma caçada.
Guarda esse facão
Teve uma etapa dos vilões, no colégio do Souza, em que chegamos sozinhos no local. Só nós, Deus e um espião. Que alegria ! Era a chance de pular na frente na noite e assegurar uma importante vantagem. Entramos mato a dentro tipo bichos. Em algum lugar haveríamos de achar o espião. Depois de algum tempo a tensão começou a ficar grande, pois não encontrávamos o cara. Então um sujeito entra no capinzal, mato brabo, na altura dos joelhos, puxa um facão e começa a cortar capim e a gritar "olha o facão ! olha o facão". Dá um tempo e eu escuto a voz do Fabiano, "o meu! Não, não, não ! Sem facão no mato! Guarda esse troço". E o silêncio voltou a reinar... E o pior é que não achamos o tal espião.
Agora eu dirijo um carro roubado !
Tem alguns rótulos que depois que pegam ficam difíceis de desgrudar. O rótulo do momento é que onde tem confusão na rua, tem carro de Gravataí no meio. Meio injusto já que tem muita, mas muita gente boa em Gravataí, porém, tem uma meia dúzia que adora trancar as estradas com seus carros, jogar rojões em quem está fazendo caça, sair com facão rasgando tudo no meio do mato. Infelizmente, por esses fatos, todo mundo acaba sendo classificado da mesma forma. O que é, repito, profundamente injusto. O fato é que quase todo mundo presenciou alguma coisa ou sofreu com os caras. Com a gente não seria diferente... ou seria?
Na última etapa da caça aos espiões fomos parar (Tibério, Matheus, Gago e eu) em uma daquelas estradinhas de chão batido em que só há espaço para um carro passar de cada vez, ainda mais se alguém estiver estacionado. O carro que ia na minha frente com o Xandi e o Vítor foi bloqueado (adivinha por quem?), meia dúzia de palavrões depois estamos a caminho de casa, de mãos vazias, putos da vida e eis que uma megane preta que ia na nossa frente resolve parar, engatar a marcha ré e vir para cima da gente bem pelo meio da estrada. O máximo que deu para fazer foi frear e dar sinal de luz, tipo, "olha eu aqui. Coloca para o lado para eu passar e segue teu caminho". Adivinha se o cara não parou o carro bem no meio da estrada, deixou as portas abertas e saiu correndo para cima do nosso carro. Na hora nem pensei, puxei o freio de mão e antes que eu saísse, o Matheus e o Tibério já estavam fora do carro (viu gurias? É a isso a que o Adão se refere). Ainda deu tempo de pensar comigo mesmo "Vai dar merda", porém antes que eu tivesse qualquer reação vi o Tibério passar voando pelo cara e ir na direção da megane que estava ligada e com as portas abertas. Só deu tempo de gritar para o Matheus "Entra no carro! Entra que o Tibério vai roubar!" Nem terminei de falar e o Tibério já estava dentro da Megane arrancando. O problema é que eu acho que ele ficou nervoso e o carro saiu meio que aos pulos. Bem nessa hora começam uns gritos de "Mas o que é isso !?! O que é isso !?!" . Quando o Tibério olhou para trás viu que tinha dois caroneiros perdidos dentro do carro. Ele nem tinha parado direito (ele só colocou o carro do lado para a gente poder passar) e os caras estavam do lado de fora com aquele olhar incrédulo "Quem é esse? O que está acontecendo?". Na saída o Tibério deu nome, telefone e cidade para o pessoal passar lá e tomar uma cerveja com ele. Só então, com o Tibério dentro do carro, que lembramos que o Gago estava com a gente. O cara ficou o tempo todo mudo dentro do carro, mudo, e só no asfalto disse o seguinte "Vocês são lo-lo-loucos...."
Acho que a ideia do motorista da megane era fazer a gente correr atrás dele feito bobos atrás de algum espião imaginário. Só pode ter sido isso... ou sei lá. Não tinha vantagem trancar a rua com a gente voltando. Falando sério, vamos parar com isso pessoal. Não tem graça nenhuma, deixa todo mundo nervoso e cria um clima de animosidade desnecessário. Vai acabar acontecendo que para cada ação haverá uma reação de maior intensidade até que alguém vai acabar de machucando e isso não seria nada bom. Mas nada bom mesmo. Vamos ter espírito gincaneiro.
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quarta-feira, 20 de outubro de 2010
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